Prémio Aristides de Sousa Mendes
Instituído em 1995 pela ASDP com o objetivo de incentivar o aparecimento de obras e estudos no domínio da política internacional, nomeadamente, no quadro das relações externas portuguesas.
Décadas se passaram sobre aqueles dias de junho de 1940 quando, em Bordéus, mas também em Baiona, em desobediência às instruções expressas de Salazar, Aristides de Sousa Mendes decidiu emitir vistos a todos aqueles que, em fuga perante o avanço das tropas nazis, buscavam lugares mais seguros, assim contribuindo para que milhares de vidas (de judeus e de outras crenças) fossem salvas. A ASDP pretende relançar a atribuição deste Prémio, retomando a intenção de promover a investigação na área da diplomacia e da política externa portuguesa.
VENCEDORES DO PRÉMIO ARISTIDES DE SOUSA MENDES
Este prémio distingue obras e estudos sobre política internacional. Listagem dos últimos vencedores.
Quem é Aristides de Sousa Mendes?
Aristides de Sousa Mendes do Amaral e Abranches nasceu em 19 de julho de 1885 em Cabanas do Viriato e faleceu em Lisboa a 3 de abril de 1954. Licenciou-se em Direito e integrou a carreira consular em 1907, tendo servido em Postos como: Demerara, Galiza, Zanzibar, Curitiba, S. Francisco, Maranhão, Porto Alegre e Antuérpia. Em junho de 1940, sendo Cônsul-Geral em Bordéus, tomou a decisão pela qual o seu nome é hoje recordado e de que resultou o salvamento de milhares de pessoas, mas igualmente a punição de que foi alvo. Aristides de Sousa Mendes foi condenado disciplinarmente e, em seguida, aposentado.
«Quando Aristides de Sousa Mendes tomou sobre si a responsabilidade de valer a quantos pudesse de entre os milhares em fuga desordenada ante o avanço alemão pela França, dando-lhes um visto para transpor os Pirenéus, contrariava instruções, decerto. Mas, fundamentalmente, punha em causa uma conceção política e confrontava Lisboa com a criação do mais difícil dos precedentes, o humanitário. Ali, em Bordéus, se formou a imagem de Portugal, porto de Abrigo que até hoje perdura»
O processo de reabilitação inicia-se em 1976, com a reintegração e promoção (a título póstumo) no Ministério dos Negócios Estrangeiros, tendo os seus herdeiros recebido os respetivos benefícios, incluindo um desagravo público mediante uma resolução da Assembleia da República e uma condecoração póstuma (Grande Cruz da Ordem de Cristo). A família de Sousa Mendes recebeu na Embaixada de Portugal em Washington, em 1987, das mãos do então Presidente Mário Soares, a Ordem da Liberdade (no grau de oficial). Em maio de 1994, o governo de Israel plantou a Floresta Aristides de Sousa -Mendes com dez mil árvores no deserto de Neguev.